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Sábado, Maio 09, 2009
:::::::::::: EM ALGUM LUGAR DO PASSADO :::::::::::: 
Se o Tsunami acontecesse aqui, agora, com toda certeza eu não estaria sentado e escrevendo meus excessos numa folha de papel. Muito provavelmente, seria esse o último texto, minhas últimas letras, meu último dizer ao mundo. Nesse exato minuto se daria o último foco, o último respiro, minha última olhadinha na janela para avistar a paz que nasce na beleza da lagoa. Mas graças a Deus, o Tsunami não aconteceu aqui e com todo respeito e solidariedade ao povo asiático, hoje ele significa apenas mais uma lembrança, mais um episódio na memória, parte do passado.
Por muitas vezes, inconscientemente, cercamos nossos dias com lembranças distantes de um tempo que passou... Fatos. Pessoas. Lugares. Cheiros. Gostos. Músicas. Ora por uma saudade desmedida que engole o coração, outrora por pensar, equivocadamente, que fomos mais felizes antes. De carona em jargões famosos tipo “podia ter sido”, “se eu não tivesse errado”, “eu jurava que era ela”, amarramos nosso presente num tempo inerte e falido. Refletimos, analisamos e relembramos gestos, passagens e palavras sem perceber que assim acorrentamos nossas vidas num filme que passou. Num roteiro fechado e mórbido, não mutante. Onde não temos o mínimo poder de ação, onde entre começo, meio e fim não podemos mudar nada. Loucura? Pode até ser, e essa é a loucura mais normal e comum que eu conheço nesses tempos.
Não sei como isso funciona com vocês, mas sempre achei um tanto irônico reencontrar pessoas que fizeram parte da minha vida. Não apenas pelas mudanças físicas, que deixam claro o quanto é cruel o tempo com quem não se cuida, mas essencialmente pela cabeça, pelo amadurecimento, pela mudança de horizontes e conceitos. Quando o Lulu Santos disse em uma composição que tudo muda o tempo todo no mundo, ele tinha toda razão, tudo muda o tempo todo mesmo. Agora, tantos anos depois, tudo que você queria ouvir foi dito. Agora, que você já não sente nem mais uma gota de amor dentro do peito, a pessoa que já foi o amor da sua vida consegue olhar na mesma direção que você olhava. Agora, ela descobriu que ser do dia é bom e que as baladas escrotas que ela tanto venerava e um pote de lixo não se diferem em nada. Agora, que tanto tempo se passou, ela entendeu que um relacionamento não é fácil, que ciúme não é amor - e que o tal do amor não se encontra em qualquer esquina. Agora? Agora, é tarde demais. Que me desculpe o ser humano que inventou a língua portuguesa, mais precisamente o pretérito perfeito, mas o verbo amar se conjuga em um só tempo, no presente. Amei, amou, amaste, amamos, amastes, amaram... Nada disso é amor.
Psiu você aí, que me pediu o texto! Não foi? Não deu certo? Realiza querida. Não era pra ser! Acredite em mim, num futuro muito próximo você vai agradecer horrores por não ter sido. Não fique se questionando. Não fique se martirizando. Não fique se debatendo nem se corroendo como se o mundo tivesse acabado. Não fique se perguntando como foi que a garrafa caiu agora que o leite já derramou. Não se crucifique. Não se culpe. E principalmente, não jogue a lama do mundo pra dentro de você. Eu concordo que em algumas horas não é fácil ser racional. Concordo que se lembrar do passado é natural, acontece com todos nós. Infelizmente nossa mente não saiu de fábrica com um DEL para apagarmos todas as lembranças que não queremos ter. Mas assim como você e todas as outras pessoas que vem aqui, eu também tenho um passado - e é ele mesmo que me prova todos os dias que foi melhor assim.
É no presente que a vida existe. É no presente que a vida acontece. Hoje. Aqui. Agora. Essa é a melhor hora de sermos felizes.
Fiquem bem e se cuidem... Beijos, Deco.
Por Deco | 13:33
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Quinta-feira, Abril 02, 2009
:::::: O DIA EM QUE EU DESISTI DE CASAR ::::::
Um dia eu acreditei que ser feliz e amar alguém andavam juntos, colados um no outro. Um dia eu acreditei que a felicidade morava numa relação de amor, num romance tão belo e doce quanto àqueles que se vê no cinema. Eu cheguei a ter fé de que o pacote do adulto feliz ia muito além de ser bem sucedido profissionalmente, era ser bem casado, constituir uma família bonita e ter filhos pulando na minha cama domingo pela manhã. Afinal, por lógica, eu sou a prova, cada um de vocês é a prova de que isso existe – ou existiu algum dia nessa vida modernamente ordinária. Somos (a maioria de nós, acredito) frutos de um casamento tradicional, de uma relação de amor entre um homem e uma mulher.
Eu acreditei um dia. A modernidade escrota, vadia, vazia, pouco a pouco, mastigou até o caroço da minha fé. Não acredito mais e substancialmente, não entrego por mais nem um segundo minha felicidade nas mãos do meu estado afetivo. Sim, nos melhores dias da minha vida eu amava alguém e aqui, agora, na real, apenas uma em cada dez pessoas que eu conheço estão ou são casadas. Apenas um, em cada dez casamentos que eu conheço conseguiram a façanha de passar dos cinco anos de existência. Bodas? Só de papel, querida. Realmente, chegou a minha vez de admitir que dividir o mundo com outra pessoa é tarefa árdua e por demais, complicada. Encontrar a pessoa certa, no momento certo da sua vida depende de algum empenho e muita, mas muita sorte. Num mundo consumista e selvagemmente capitalista como o nosso, encontrar uma mulher guerreira que estará com você na champagne e na lama com a mesma disposição é semi-impossível. Descobrir alguém que tenha vontades semelhantes às suas, sonhos e desejos parecidos com os seus, idem. Achar a pessoa que respeite sua individualidade, que não seja doente de ciúmes e que não dependa seiscentos por cento de você, idem. Conhecer alguém que não reclame do seu cigarro e tome uma ou outra vodka com você ou que ao menos não te recrimine enquanto você bebe ou fuma um cigarro, idem também. Enfim, encontrar a pessoa com quem se tenha sintonia afinada, química, amor - e compreensão - e entendimento - e respeito - e fidelidade - e ternura - e cumplicidade - e paixão - e companheirismo - e carinho - e tesão, é quase a mega sena acumulada. Você ganhou? Administre seu prêmio cotidianamente! Pois aqui fora, a coisa está infinitamente feia.
Portanto, não sou mais quem rema contra a maré, deixa a maré levar... Cansei de vestir a camisa rebelde de contra mão do mundo. Cansei, mesmo. Sou gente e antes de amor, quero oxigênio, preciso demais respirar. Para aquelas pessoas as quais eu representava a esperança de um mundo melhor e mais bonito, vivam a vida, aproveitem a vida e boa sorte! Quero me demitir de carregar o vazio de sonhar o modernamente impossível. Vou sambar o samba dessa vida conforme ele tocar. Se um dia o amor chamar, se um dia a pessoa certa me achar e cruzar o meu caminho olhando nos meus olhos, talvez eu pague língua e acreditem: Eu desejo e espero pagar.
Se cuidem... Beijos, Deco.
Por Deco | 23:27
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Sexta-feira, Fevereiro 20, 2009
:::::::::::::::: QUÍMICA E NADA MAIS ::::::::::::::::

É... Não podemos negar o óbvio. Se apaixonar já foi bem mais fácil.
Em outros tempos, bastava certa beleza, digo uma pontinha de charme, nada dessa beleza perfeita que a mídia estampa em nossas caras como quem diz: “Corpinho desenhado, barriguinha zero, olho colorido e cabelo liso, é básico! Não seja feliz com menos que isso!”. Não, nesse tempo a mídia passava longe da gente, longe da nossa vida graciosa, bonita e inocente. Nesse tempo, até a mídia era mais digna e menos voraz, menos canibal. Longes do culto a perfeição, vivíamos nossas vidas com sonhos gratuitos e realidades ainda mais gratuitas e tangíveis. Bastava um olhar diferente, uma boca carnuda, um cheiro gostoso, um beijo interminável. Bastava um sorriso sincero, um olhar mais demorado, meia dúzia de confidências e um sexo bom. Pronto! Apaixonávamos. Mesmo. Perdidamente... Dispensando atestados de bons antecedentes, certificados de procedência, classe social definida. Vivíamos de química, de corpo arrepiado, de êxtase... Química e ponto. Paixão e reticências. Um dia foi assim.
Sim! Sentimos falta disso. Sentimos falta de disritmia cardíaca, de frio na barriga, de descompasso generalizado pelo corpo. Sentimos falta de ter a cabeça vazia e o coração lotado, coberto, transbordando sensações. Sentimos falta de escrever cartas, de comprar cartões na papelaria, de coisas muito simples. Sentimos falta de ficar no telefone pendurados por horas e mais horas. Sentimos falta de acordar e dormir pensando em alguém que não nos oferecia nenhuma vantagem ou posição socioeconômica favorável, apenas doses deliciosas de um sentimento intenso e verdadeiro. Sentimos falta daquela impulsividade adolescente - que nos deixava quase sempre - mais sempre que quase - apaixonados, completamente apaixonados uns pelos outros. Sentimos falta do tempo que nosso mundo era só emoção, onde nossos corações não tinham nenhuma razão - e na verdade tinham toda. Sentimos falta do tempo em que pode e não pode eram bem mais do que um quadro humorístico e ainda sim, com todas as regras, éramos felizes e não sabíamos.
O tempo passou... A vida passou... E levou pelos ares nossa adolescência, nossa inocência, nossa essência. Hoje os dias são menos coloridos, as noites mais frias e os domingos mais Faustão, infelizmente. Hoje a prática divorciou-se da teoria e na mesma intensidade em que o mundo inteiro quer alguém, nesse mesmo mundo inteiro ninguém é de ninguém. Contemporaneamente, inegavelmente, lamentavelmente, admitimos de braços cruzados e corações partidos que paixão seja apenas o nome de um óleo de amêndoas e o amor, bem, nem me fale. O tempo passou. O tempo levou. O tempo, o vilão inventado, o bicho papão da modernidade, comeu.
Estamos cada vez mais cientes do caos e distantes de atitudes que o tirem de cena. Cada vez mais informados e armados contra eu nem sei bem o quê. Cada vez mais chatos, inflexíveis, exigentes e impacientes. Cada vez mais racionais e convictos de que isso é realmente algo que se pode chamar de vida. Cada dia nos achando mais, nos maquiando mais, nos escondendo mais de nós mesmos e do mundo. Querendo, clamando, exigindo chão e em troca oferecendo o vento, o nada, coelhinho da páscoa, papai Noel. Hiperativos, super independentes, inteligentes e descolados, nessa modernidade que hasteia a bandeira da individualidade e do egoísmo – a mesma que segue semeando infelicidade.
Não, nós não queremos ser adolescentes. Queremos ser adultos e felizes, tudo bem? Queremos amar e ao longo do dia, ter o prazer de presenciar mais gestos de amor. Queremos uniões mais fortes, relações mais saudáveis, sinceras e fiéis. Queremos um mundo mais gentil e honesto. Queremos leveza, sintonia, cumplicidade e parceria. Queremos menos emails, menos mensagens e mais abraços apertados e mais, muito mais beijos na boca. Queremos enfim, escrever um texto assim e não pensar que estamos loucos nem que estamos pedindo muito. Queremos amar porque o amor é a nossa bandeira. Porque pra gente, o amor é básico.
Fiquem bem. Beijos, Deco.
Por Deco | 12:31
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Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009
:::::::::::::::::::::::::: QUASE ::::::::::::::::::::::::::
por Sarah Westphal
Ainda pior que a convicção do “Não” e a incerteza do “Talvez”, é a desilusão de um Quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto! A resposta eu sei decór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance. Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente a paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance!
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando; porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
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Ouvi esse texto ontem de uma pessoa muito especial e fiquei refletindo sobre o quanto ele é profundo e igualmente real. Sobre o quanto ele tem a ver com a nossa vida e com nossos cotidianos urgentes, loucos, totalmente alucinados.
Esse texto não apenas mais um texto genial que alguém teve o dom, a maestria de escrever com abundante sensibilidade. Não é meramente algo que você lê e que te pausa, e que te congela por alguns instantes como que propondo um pensar contínuo... Não. Para mim, ele vai se tornar uma espécie de oração. Algo que será lido todos os dias, todas as manhãs. Para que eu me lembre a cada dia desse ano novo e limpo, o quanto o quase é algo dispensável em nossas vidas. O quanto estamos certos quando pensamos que o mundo está carente de seres com atitudes e caras expostas. Para que eu me cerque de sensações e atitudes mais concretas e definidas. Para que eu tenha comigo a certeza desmedida de que quem quase é, não é. E que quem não é não vale o tempo, o olhar demorado, o beijo, o amor.
Fiquem bem e se cuidem. Beijos, Deco.
Por Deco | 11:12
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Quinta-feira, Dezembro 18, 2008
::::::::::::::::: MEU DIVÃ VIRTUAL :::::::::::::::::
Já ouvi muitas pessoas dizerem que me exponho demais por aqui. Que não devia ser assim tão aberto, tão sincero, tão explícito no manejo das palavras. Mas devo deixar claro que não me importo tanto com esse lance de exposição. Nessa vida, gostando ou não, deliberadamente, sempre tem gente analisando ou pior, julgando a maneira como vivemos, pensamos, agimos, levamos a nossa vida, enfim... Se a gente for se preocupar com esse tipo de coisa, nem consegue viver. Sim, é verdade. Na contramão da tal exposição, sou uma pessoa extremamente reservada e também anti-social, anti-chilique, anti-modinha, anti-multidão. Mesmo, literalmente. Tenho verdadeira aversão a sorrisos amarelos, despidos de sentimentos, que nos dias de hoje andam fartos por aí a fim de garantir um social perfeito. Tenho preguiça-mór de programas do tipo tem que ir - todo mundo vai. Esses chavões de promoters meia boca, essas baladas puramente mercantis não me pegam mais. Foi-se o tempo em que eu me sentia mal, em que eu me sentia out por não ter conseguido o convite para a balada do ano. Resumo-me a quem eu gosto, a quem gosta de mim e a quem acrescenta de alguma maneira na minha vida. Resumo-me aos lugares e programas com essência, que são capazes de me trazer prazer e paz. O resto? É sempre o resto. Deixo pra quem curte e que, aliás, é tanta gente, não é mesmo? A verdade nada virtual é que pouquíssimas pessoas conhecem a minha casa, o meu ninho e mais raras ainda são aquelas que sabem da minha vida no cotidiano e do meu coração, mas aqui a história é outra... Antes de qualquer coisa o Trilhas da Vida é um espaço aberto às pessoas do bem, onde trocamos idéias, ideais, questionamentos, experiências e sentimentos. É lugar de comunhão, de troca, de amizade, de terapia em grupo. E sinceramente, não vejo modo de isso funcionar sem exposição, sem jogo aberto, limpo e com muita transparência (como acontece naturalmente desde o começo). Se eu for falso ao invés de sincero, reservado ao invés de explicito, adeus. Não consigo escrever de outra maneira que não desta que vocês conhecem, mesmo sendo reservado, mesmo sabendo que essa abertura aqui é de certa maneira uma puta contradição.
Seguindo a linha que abre divã, eu me olho no espelho e pergunto: Quem é você, hein André?
Bem, não se iluda, eu não sou uma pessoa das mais fáceis de levar (quem é?). É a primeira coisa que me respondo - olhos nos olhos - bem da minha maneira (acho o olhar uma das coisas mais verdadeiras e entregues que a gente possui. A boca mente, a cabeça mente, mas os olhos não, eles são sempre honestos). Quando digo que não sou fácil não quero dizer que sou marrento também não, entende? Acho cheguei num ponto da minha vida em que vejo as coisas assim como são, simples, despidas, sem muita fantasia ou ilusão e como me conheço e respeito a minha essência, não costumo seguir o que vai contra ela. E isso é não ser fácil de levar, Deco? Podem acreditar, é sim. Para o mundo em que vivemos hoje, é. As pessoas não digerem muito bem esse modo escancarado de ver a vida, os conceitos, as coisas. As pessoas, em sua maioria, vivem num mundo de faz de contas, entorpecidas de ilusões, fingindo pra ficar de pé, fazendo de conta e levando, empurrando a vida com a barriga. Não curto isso. Não consigo nem mesmo conviver com esse tipo de comportamento. Direito delas? Claro que é. Cada um é cada um. Cada um é dono do seu leme. Mas não me convide a ser assim, tudo bem? Não tente me provar que é melhor. Não me peça pra fingir que está bom. Gosto de ser realista. Gosto de chão. Gosto de realidade seja ela qual for.
Continuo em pé, olhos nos olhos. Eu e eu. Eu e o espelho.
Vejo minhas cinco tatuagens... Uma a uma. Gosto bem da coisa de tatuar. Acho que a tatuagem é algo extremamente expressivo, algo que te representa, meio que te traduz, sabe? Nada a ver com esse modismo sem sentido, estética ou vaidade. Acho bacana a expressão, o conceito com o qual você se identifica ali, estampado na cara do mundo. Por falar nisso, a sexta tatuagem que na verdade é a quinta (já que vai cobrir uma frase que tenho nas costas) está com o desenho quase pronto, estou acabando de acertar o desenho e já estou contando os dias para tatuá-la. Por que vou cobrir minha frase nas costas? Simples, questão espaço. O casal de dragões (é, eu também não sei se existe dragão fêmea, mas se não existe, agora vai existir) é gigante e não cabe nas minhas costas se eu não cobrir a frase. E o que é a frase? Love all the ways of Love (Amo todos os caminhos do amor) que sim, já me rendeu alguns comentários idiotas sobre sexualidade (a cabeça do povo é fértil demais), como se eu amasse também o amor homossexual, o que não condeno e não tenho preconceito, mas que não é e nem nunca foi a minha.
Quando eu era adolescente meu pai achou um maço de cigarros na minha mochila e um tempinho depois descobriu que eu fumava, resultado prático: Adeus mesada! Logo eu precisava de dinheiro, mais para comprar cigarro do que pra lanchar no colégio e como não ganhei na mega sena, o jeito foi trabalhar. Minha vida de trabalho começou bem cedo, aos doze anos lá estava eu - um nanico cabeçudo trabalhando meio horário para bancar seu vício. Eita! Mas com o tempo a necessidade foi morar em segundo plano, fui tomando gosto pela coisa de trabalhar, de conhecer muitas pessoas (de todas as classes, raças, níveis e tribos imagináveis), de ter meu dinheiro, minha independência. Achava o máximo poder sair sem ter que pedir dinheiro pro meu pai. Enfim, me apaixonei pelo comércio de automóveis - e não demorou muito para o meio horário virar horário integral. O colégio da manhã passou pra noite e eu que nunca fui lá um bom aluno, me tornei uma espécie de mestre na arte de colar. Imaginem, se quando eu tinha a tarde inteira pra estudar eu dormia, não era agora chegando onze da noite em casa que eu ia virar um estudante exemplar. Hoje, dezenove anos depois, posso dizer que o trabalho foi uma das melhores coisas que eu conheci na vida. Além do dinheiro, trouxe maturidade, senso, conhecimento, valor e experiência.
Por trabalhar no comercio, cresci ouvindo de pessoas que sem dinheiro você é um ninguém no mundo dos negócios e mais - que é a partir do primeiro milhão que aparecem as melhores oportunidades, onde você começa a dar as cartas, o que concordo, é a mais pura verdade. O rio corre pro mar, sempre. Mas espera aí, estamos falando de um milhão, certo? E um milhão é muito dinheiro! Vai ganhar um milhão trabalhando honestamente... Vai ganhar um milhão nessa economia montanha russa aqui do Brasil. Mesmo assim, mesmo muito longe do milhão, fixei a idéia e capitalizei minha cabeça, eu queria dinheiro, muito dinheiro... Eu queria meu primeiro milhão para poder dar as cartas. E esse primeiro milhão se tornou uma coisa meio emblemática na minha vida. Uma coisa meio que de alpinista que persegue o topo da montanha. Mas com o passar do tempo fui percebendo que o dinheiro traz também toda sorte de coisas negativas. É isso mesmo que você pensou aí: Interesse, inveja e um tanto quase inesgotável de outras coisas nojentas, absolutamente negativas. É fácil ver só o lado bom das coisas, mas sempre existe o outro lado e com o dinheiro, claro, não é diferente. Não, eu não desisti, o primeiro milhão ainda mora na minha cabeça e talvez um dia o conquiste, talvez não, vai saber... Sei que a vida é mais que isso. Sei, sem ser hipócrita, que o mundo é total capitalista. E que o dinheiro é o baralho que você precisa para entrar na roda e jogar o jogo, e ganhar num dia, e perder no outro.
Bom, aos dezoito anos eu conheci o amor. Não, eu não fui o homem perfeito nem o homem dos sonhos de toda mulher quando conheci o amor. Sou ser humano, e ser humano erra. Erra no sentido de mentir, de trair, de inventar, de se inventar pro outro acreditar. Eu não sou diferente. Sou fã do amor. Sou mesmo, declaradamente, é muito bom poder sentir mais alguém dentro do peito além de você mesmo. É menos individual, menos egoísta. Dá mais sentido, fôlego e paciência pra você aturar clientes chatos e problemas de toda natureza. Mas se sou tão fã do amor, por que não fui uma pessoa melhor quando estava amando? Boa pergunta, André, excelente pergunta! Existe uma coisa que se chama comodidade. O que com toda certeza, é um câncer pra qualquer relacionamento humano. É cômodo ter o melhor sexo da sua vida. É cômodo ter o melhor beijo entre as incontáveis bocas que você já beijou. É cômodo ter o melhor cheiro, a melhor química, o melhor carinho, o melhor Bom Dia! Boa Tarde! Boa Noite! É cômodo ter uma pessoa que cuida de você, que se preocupa com você e que te admira muito. É cômodo você ter tudo o que você pediu a Deus nas suas orações noturnas bem ali, na sua frente em carne e osso. É cômodo, é prático, até você perder (e você perde). Até ir embora e deixar uma dor mais indigesta do que quilos de bacon em pleno café da manhã. Então deixa de ser cômodo para se transformar em incômodo – e como incomoda, hein gente? Músicas, cheiros, expressões, todo um cenário de lembranças te cercam. Agora sua memória é um universo de amor. Você não come. Você dorme mal. Você sofre, mas você aprende. E então você começa a ter algo tão importante quanto oxigênio para sobreviver e ser feliz, maturidade afetiva. Saber entender, valorizar e respeitar de uma maneira gigantesca aquilo que você está vivendo. Saber o quanto é raro alguém morar no seu peito e mais, que isso infelizmente, não acontecerá muitas vezes na sua vida. Saber que ter e manter são aliados na sobrevivência, nada, absolutamente nada funciona sem manutenção. Saber separar as tentações (que sempre nada são) da qualidade do que está ali, bem diante do seu nariz.
E a vida é assim mesmo, é um leva e traz que só acaba quando a gente morre. Sim, às vezes ficam algumas dores no peito, é verdade. Dores por não conseguir voltar lá trás e consertar as coisas. É, infelizmente, o cambio do tempo não possui marcha ré... Errou? Pague seu erro, viva com ele e aprenda. Essa é lei. Talvez os anos te tragam uma nova chance de repará-los ou não, talvez eles existam apenas para servir de exemplo num momento em que você não poderá cometer o mesmo erro. O que importa é superar, aprender, levantar a cabeça e seguir sem esquecer a lição. Há quem diga que quem vive de passado é museu. Há quem diga que a vida anda é para frente. Eu concordo com os dois, mas menos extremismo aí, viu? Isso não torna seu passado um capitulo desinteressante, apagado, inexpressivo da história. Mora lá, exatamente lá, a resposta para muita pergunta que você se faz hoje, aqui, agora. Não tenha medo, voltar no passado não significa que você vai ficar murmurando, se lamentando o resto dos dias pelo que você perdeu ou que na verdade, tenha ganhado... Essa coisa de perder e ganhar é bem relativa, não?
Chega de análise, né? Esse é ultimo texto de 2008. Um ano que, verdadeiramente, não foi nada fácil pra mim. Começou com um grave acidente de moto que quase me tirou do ar e seguiu - pesado e seco – mês a mês – dia após dia. Foi sem dúvida alguma o ano em que menos saí de casa e com toda certeza também o que mais me conheci. E isso é algo divino, se conhecer é uma experiência muito necessária e positiva. É bacana você ficar com você durante um tempo longo, se fechar, se interiorizar. É maravilhoso você ir de encontro a você mesmo e se descobrir, e se entender, e se permitir, se encontrar. Você e você. Você e seus pensamentos. Você e seu coração. Eu bem sei que não é fácil, que aparenta solidão e amargura - e sei também que a maioria das pessoas têm dificuldades de ficar sozinho (o que não me faz melhor do que ninguém). Mas garanto a vocês, é uma passagem profunda, única e bem menos solitária e narcisista do que aparenta.
Que dois mil e nove venha logo e se abra com dias recheados de paz, amor e energia positiva em nossas vidas. Esse trio pode soar clichê agora, quase na virada, mas é ele que nos torna gente, é ele que faz nascer um mundo melhor. É ele que torna amigos mais amigos, amores mais amores. Que o Papai do Céu continue lá em cima nos iluminando e que iluminados, sejamos mais humanos, mais coração e menos matéria. O mundo é capitalista sim, mas amém! Somos gente e queremos é amar.
Feliz Natal e um Reveillon Maravilhoso para vocês !!! Obrigado pelo carinho, pela amizade e pela doçura. Vocês tornam minha vida melhor !!! Fiquem na paz e se cuidem, hein?
A gente se encontra em 2009 !!! Beijos mil, Deco.
Por Deco | 16:22
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